Esta história é digna de ser contada aqui com detalhes, quanto mais não seja para lhes dar mais um motivo para me chamar nomes!
Tinha marcado um fim de semana para ir "trabalhar" que no meu caso equivale a ir para o campo de binóculos e máquina fotográfica em punho procurar coisinhas boas. Desta vez fui na westfalia, para poder ter mais opções de pernoita onde fosse preciso.
Tinha já umas coisas referenciadas que tinha visto noutras viagens anteriores e que tinha que ir verificar ou tentar encontrar os donos.
Estava a chegar a uma aldeola que já tinha estado há uns tempos e onde tinha visto um carocha, ia tentar encontrar o dono para ver se havia possibilidade de negócio, como vinha na bisga passei a primeira entrada da aldeia e segui em frente mais uns 500m mas pus-me a pensar, se calhar devia ter entrado ali... não conheço aquele acesso e até pode ser mais perto para onde quero ir... numa lateral da estrada fiz inversão de marcha e voltei atrás para fazer a dita entrada. Entro e vou por ali abaixo devagar olhando para ver se me localizo, ao passar num monte andavam uns homens a trabalhar com umas roçadoras e um acenou-me a dizer adeus e por ali vou eu com atenção.
Quem viaja de Volkswagen por aí sabe bem o que é atravessar aldeias e passar em sítios onde há gente, muita gente aponta, há sorrisos de aprovação, crianças olham com espanto e até os mais afoitos pedem para tirar selfies, a tudo isto devemos responder com simpatia. Mas ficou-me a martelar a maneira como aquele homem do monte acenou... aquilo não era um simples aceno, parecia mais uma chamada, como se estivesse a chamar-me, mas deixei-me ir por ali abaixo a pensar, mais um que me achou graça??
Como a ideia não me largava e pensei, seja como for tenho que perguntar em qualquer sitio indicações sobre o dono da viatura que vou em busca, decido voltar atrás para ir ao monte. Mais uma inversão de marcha e volto ao monte, na minha chegada já estavam todos parados a ver regressar, parei junto deles.
Boa tarde Amigo, estava a chamar-me???
Olha por acaso estava, e debruça-se para dentro da minha janela para espreitar o estado imaculado em que está a minha carrinha!
e a próxima frase matou-me:
Sei onde está uma carrinha destas para restauro!!!
caiu-me tudo!!! e ao mesmo tempo que tento fazer um ar normal e desinteressado, recupero o fôlego e bebo uns goles de água para deixar de ter a boca tipo cortiça!
Sem eu dizer uma única palavra começa ele, está aqui bem perto de nós uma carrinha parecida com esta, até ainda tem o símbolo grande da frente e as janelas todas! Olhe há uns anos até eu tinha uma... vendi a um gajo do Algarve que veio cá buscar, estava toda fodid@!
Nessa altura eu consegui articular algumas palavras e só lhe disse: sabe quem era esse gajo do Algarve? Era eu!!!!
Eu estava na mesma aldeia onde há precisamente 10 anos comprei a minha primeira carrinha, a tal Barndoor que foi para espanha!!!!!!!!! e este homem é filho da senhora que ma vendeu.
Nesta altura o espanto dele era quase tão grande como o meu! Comecei a dar-lhe detalhes da venda, nome da mãe, cor da carrinha, local onde estava até que ambos dissemos, porra que o mundo é pequeno!
Um dos homens que ali se tinha juntado era o dono da split do inicio da conversa, vamos lá ver essa carrinha homem! aquilo tá muito velho já não vale nada... ok mas vamos ver, meti-o quase à força dentro da carrinha e lá fomos à horta e ramada.
Confirma-se uma split bastante completa de carroceria, daí até apertarmos a mão e combinar a recolha foi uma negociação difícil mas que foi ajudada pelo resto do pessoal, houve ali uma empatia que parecia que éramos grandes amigos!
Exactamente uma semana depois estava a ser carregada para fora da ramada, depois de 15 anos parada voltava a andar atrelada a um tractor.
Quanto ao transporte para casa é outra história que um dia vou contar, quase tão recambolesca como esta, agora já está em casa.
Nunca me tinham chamado para me "oferecer" um negócio destes, mas foi uma excelente maneira de celebrar 10 anos de buscas,
Há histórias que não têm preço!!!!


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