O meu carro foi comprado à segunda proprietária, uma professora reformada. O carro foi comprado por ela em 1970, em 2ª mão. A 1ª dona foi uma estrangeira que adquiri-o em Portugal Continental e passado 3 dias devolveu-o, pois não cabia no carro.
Um vendedor era primo da professora, e contactou-a. O negócio foi feito e lá veio ele para a Ilha da Madeira.
Comprei-o quando já estava praticamente abandonado num canto da estrada. A senhora já estava reformada e a sua vista já não lhe permitia conduzir. um casal de sobrinhos (já com uns 40) dava umas voltinhas com ele. Depois compraram mais um carro e o carocha começou a ficar esquecido.
Tinha cerca de 98.000kms em 1996. O motor, caixa de velocidades e travões tinham levado uma revisão geral. Quanto a chaparia... estava um pouco "maduro", como aprendi aqui na Garagem.
Por 200 cts e carta recente, foi o meu 1º carro "de verdade", pois os outros 2 carochas e 2 carrinhas estavam ainda piores e não andavam...
Fiz sguro e circulei com ele durante dois anos. Nessa altura aparece na Madeira as IPOs. O carro nem lá foi. Foi "arquivado" no quintal da minha tia por uns anos.
Fui comprando as peças que iria precisar para o restauro:
-longarinas
-fundos
-TODAS as borrachas (vidros, carroçaria, chassis...)
-mangas de disco dum 1302S
-cromados da carroçaria (grelhas, frisos...)
-4 guarda lamas
-palas do sol TMI
-forro do tecto
-pop-outs
-etc....
A minha namorada (actual esposa) ofereceu-me as "pestanas" nos meus anos, tb em '96. OK, já sei que não são ao gosto de todos, mas não as tiro do carro por nada. Andava com ele com as mossas e ferrugem, mas com as palas, o pessoal olhava e dizia: "- O dono gosta do carro, olha para os faroís!"... pois gostava, era (e ainda sou) um teso!
As peças fui comprando, e quando chegou a altura do trabalho a sério, desmontei-o TODO, mas mesmo TODO... cada parafuso, porca, fio, como se estivesse a "nascer" outra vez.
O reboque levou-o para o 13º

bate-chapas com quem falei. 2 meses depois (e muitos cts

de mão de obra) já tinha os remendos feitos. Escaldado, levei-o de volta para o quintal da minha tia, onde coloquei-o na folha com os tais discos de nylon...
Pintei-o de primário e depois avancei para a pintura da carroçaria com a ajuda do meu amigo Miguel.
A aplicação dos diversos primários, anti-gravilha, tinta e verniz começou às 9 da manhã e acabou perto da meia noite. Com pausas só para almoço, lanche e XIXI

foi uma maratona. De referir que somos ambos "amadores", ou seja, nenhum de nós tem profissões relacionadas com a área automóvel...
Eis uma foto do produto final.