Eu sou o Joaquim, sou de Vila do Conde e sou o feliz proprietário de um Carocha de 1965 (modelo de 66).
Este tópico já tem uns anos de atraso, mas no fim vão perceber porquê!
A paixão por Carochas tem quase tantos anos como eu de existência... e ficou ainda mais aguçada quando há uns anos atrás, não me lembro ao certo quantos, estava a assitir a um documentário sobre o nascimento e conceção do Carocha, no Discovery Channel. Nessa altura fiquei tão impressionado com a engenharia subjacente ao carro que prometi a mim mesmo que iria comprar um só para mim!!!
Mas sem dinheiro suficiente pouco se pode fazer, pelo que tive de esperar até trabalhar e ter euros no bolso para poder pensar em concretizar a promessa!
Estava então no início de 2010 a pensar com o que me iria presentear nesse ano. E se fosse um Carocha? Será que consigo comprar um a um preço aceitável?
Começou a procura de um Carocha que me fosse possível adquirir, mas que estivesse em razoável estado. Até que foi encontrado um na Marinha Grande.
Uma ida lá, em trabalho, deu para ver o estado do carro e uma primeira negociação, seguidas de algumas semanas de negociação telefónica! Até ao dia, lá para finais de Março, em que me enfiei num comboio com destino a Coimbra, como paragem intermédia. Depois de umas três horas de viagem e uma crava ao dono anterior para me ir buscar à estação, lá estava eu sentado pela primeira vez ao volante de um Carocha (o meu).
Seguiram-se cerca de 200 km ao volante desta máquina fantástica! Ora pela EN (até Coimbra), ora por auto-estrada (de Coimbra ao Porto). Chegado a Coimbra, ao entrar numa rotunda, a viagem podia ter terminado, porque em andamento o carro desligou-se (sem razão aparente) mas depois de uma insistência lá retomei viagem sem precalços (mais tarde depois do motor aberto o mecânico disse-me que a viagem foi feita só com três cilindros, mas isso não foi problema na altura).
Duzentos quilómetros depois estava no Porto e o Carocha foi diretamente para a garagem. Seguiram-se 4 meses de descoberta de podres com o início da desmontagem e com a retirada de tapetes. O ânimo para o recuperar pessoalmente esmureceu e resolvi encontrar alguém que soubesse o que estava a fazer (assim julgava quando o deixei no mecânico).
Foi então a vez de negociar o restauro, uma vez que apesar de já ter dinheiro, o restauro fica numa pequena fortuna. E assim, foi combinado com o mecânico ir fazendo o restauro e eu ir contribuindo mensalmente com uma quantia fixa até ao valor final do restauro... passaram-se mais 10 meses. Hora de ir à inspeção e por pouco nao passava, porque depois da viagem até à IPO não queria pegar...
Restauro feito foi a vez de o ir buscar... altura também em que comecei a perceber que afinal o mecânico não percebia assim tanto de carochas! Ou não estava para aí virado... Ao nível mecânico fiquei até com a sensação que estava pior no fim do restauro. Ora funcionava mais ou menos bem, ora não funcionava, ora os fios soltavam-se da bobine... e nunca mais saía da oficina. "Vamos ver se é da bomba de gasolina..." "Será do distribuidor?" "Sabe que isto do restauro de uma máquina velha..." "Depois do restauro é preciso andar com ele para ver se há defeitos...". A verdade é que sempre que lá ia ver se o podia levantar nunca esteve com um funcionamento confiável.
Até que me cansei e fui lá buscá-lo assim como estava. Restaurado, mas não a funcionar corretamente. A quente nunca pegava.
A piada de ter um carro clássico, leia-se Carocha, foi-se esbatendo...
Até que, estando de casamento marcado, surgiu a pergunta... que carro vai ser o dos noivos? Depois de ter um clássico na garagem vou alugar um para o efeito? (adoro clássicos por isso tinha de ter um clássico presente no dia do casamento) Vamos lá ver como está o carocha com o seu defeito (que para mim era terrível...) e lá fomos fazer uma sessão fotográfica durante os preparativos... e lá me deixou ficar mal, mas desta feita por minha causa. Depois de ter estado tanto tempo na garagem sem trabalhar, a bateria foi-se e já para sair de casa teve de ser puxado para a rua e depois de empurrão.
Mas para o dia J teria de funcionar bem, por isso entretanto lá fui comprar bateria nova. E no dia marcado funcionou impecavelmente (pois dei-lhe tempo para arrefecer e retomar a marcha, tudo planeado ao minuto!!!
E com este desempenho voltou a vontade de ver se funcionaria bem! A vontade retomou, mas os problemas também. O carro não era confiável. Por isso os passeios eram sempre curtos e espaçados no tempo (apenas uma ou outra vez ao fim de semana). Estava sempre descarregada a bateria, o arranque na ignição era fraco, demorando a pegar, até que num belo sábado à noite tive de regressar a casa sem luzes de retaguarda. Depois de arrumado na garagem nunca mais voltou a trabalhar.
Volta a chamar um mecânico (outro mecânico que não o do restauro) e depois de uma semana lá voltou a casa a trabalhar mas com os mesmos defeitos (os tais que se tornaram feitio). E entretanto deixou de travar corretamente na roda direita traseira, seguido de rebentamento do cabo de embraiagem. Voltei a casa sem embraiagem, era sábado de manhã e não havia trânsito - o problema maior foi num cruzamento, mas tudo se resolveu pelo melhor.
E esta situação foi o ponto de viragem... cansei-me de tantos problemas e resolvi arregaçar as mangas, sujar as mãos com óleo... e pesquisar muito sobre o assunto!!!
Procura aqui, lê acolá, compra peças ali, importa peças dali... Levantei o carro, coloquei-o em duas perguiças e mãos à obra...
Depois de substituir:
- bombitos dos travões traseiros;
- calços de travão (que se danificarem por fuga de óleo no bombito e nos retentores de eixo da caixa);
- cabo de embraiagem e tubo;
- óleo dos travões (por ter fuga no bombito e por não saber ao certo a quantidade perdida e as características do óleo inicial);
- retentores do eixo da caixa;
- óleo da caixa (pelas mesmas razões do óleo dos travões, embora a fuga fosse pelos retentores do eixo da caixa);
- platinado do distribuidor...
Depois de afinar:
- pedais, comprando um Kit de reparação do acelerador (não tinha mola no pedal);
- porta do passageiro que teimava em não fechar ou apenas o fazia a muito custo;
- platinado do ditribuidor;
- correia de distrbuição do alternador
- carburador (ainda que o trabalho não tenha ficado completo, pois pretendo retirá-lo para limpar completamente).
E depois de montar um carregador de bateria de 6V, seguido de carregamento desta, o carro já fez cerca de 1600 km, em 4 meses (Novembro 2014 até agora), com zero problemas... (ou melhor, quase zero... é um problema enorme para a carteira ter de ir à bomba quando o ponteiro anuncia o fim da gasolina no depósito!!!!
No próximo mês conto retirar o motor de arranque para uma manutenção preventiva e o carburador para fazer uma limpeza de A a Z.
Por agora é tudo... e já escrevi demais!!! Mas tinha de ser para ficar a apresentação feita, com 5 anos de atraso!!!
Obrigado pela paciência de lerem até ao fim e se precisarem de alguma ajuda avisem, porque se eu souber, terei todo o gosto em ajudar!!!
Um abraço "clássico"!!!








