2000 Posts, O Pacote
- Miguel Brito
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- Joined: 24 Jan 2007 15:06
- Location: Albarraque-Sintra/Portugal
2000 Posts, O Pacote
Pois é, reparei repentinamente que estou no post 2000... O convívio tem sido salutar, tenho aprendido bastante e descoberto novos amigos.
Já que têm tido a paciência de me aturar, lembrei-me de meter aqui mais uma das m inhas histórias, desta vez uma antiga, mas conhecida de alguns: O Pacote.
O Pacote.
17 de Outubro de 2001, Nacional 1, entre Pombal e Leiria, sete e meia da tarde. Mais uma história do Miguel Brito.
Ai que fome! Estou doido de fome. Tenho que comer qualquer coisa.
São 19.30h e estou no carocha a voltar de Coimbra. Como é Outubro, já está noite cerrada, e o ar fresco arrepia-me o estômago. Não lanchei, e o almoço no Largo histórico de Eiras, entre a uma e as duas, há muito que desapareceu. Eram duas cavalas grelhadas, com couve cozida, batata nova e azeite. Depois foi uma salada de frutas, que tinha ananás e uvas.
Ai que fome que eu tenho. Parei na bomba de gasolina de Pombal, meti cerca de 15 litros, 2 contos de 98 bleifrei (Bleifrei em alemão quer dizer “sem chumbo) mais redex, (Redex é aditivo para protecção das válvulas.) e desesperado, trouxe também um pacote de bolachas com chocolate.
Voltei a arrancar, entrei numa aberta da Nacional 1 e fugi à frente de um TIR cheio de faróis.
De novo a 80, deslizando em quarta, vamos papar. Olha a bolachinha...
Olhando a estrada, e atento aos faróis que passam, tacteio com a mão direita o querido pacote, enquanto salivo na ânsia daquele sabor de chocolate.
Mas o pacote, plastificado, tipo colado, não se desarma.
Puxo-o para mim, e prendo-o entre as pernas. Com a mão direita continuo a tentar abrir o topo do cilindro de bolachinhas escondidas.
Arranquei apenas um mísero pedaço de plástico...
A coisa começa a irritar-me.
Vou olhando de relance para o pacote a tentar perceber o que se passa, por que é que esta coisa não se abre normalmente. Mas não vejo nada...
Iluminado apenas pela luz amarela do velocímetro e do VDO da gasolina, o pacote é uma coisa com aspecto de preservativo embalado a vácuo, preparado para não se abrir de qualquer modo!
Raiva, raiva! Estou cheio de fome, tenho um pacote cheio de bolachas na mão, e a porra não se abre!
Continuo a esgravatar mais violentamente, e vou arrancando pedaços minúsculos de plástico que vou atirando com ódio pela janela.
Passei para 70 e o carro ziguezagueia como se fosse guiado por aqueles velhos de boina a regressarem da taberna.
Atrás de mim, sem eu reparar, o trânsito abranda a ver onde o “bêbado” se irá espetar.
Quanto mais faço força, puxo, raspo, esgravato, mais o carro perde o rumo certo, agora nestes Camac 560 x 15 de bicicleta, sensíveis como tudo.
Parece que o carro ganhou direcção assistida. Faz uma grande diferença em relação aos 155R15, mas como passei a gastar menos 0,63 litros aos cem, não me importa.
E continuo alucinado a tentar rasgar o raio do pacote...
De repente... Viva! Saquei uma bolacha!
Abro a boca, levanto por fim a bolacha, e nesse preciso momento...
Entra-me repentinamente pelo vidro um fortíssimo cheiro a estrume! É preciso ter azar! A primeira trincadela sabe-me a estrume de porco, a segunda também. Percebo então que o camião frente a mim carrega porcos vivos!..
Fico à espera do fim do traço contínuo. Está quase.
Deixo atrasar, ganhar três carros de distância, pedal leve.
Está quase, está quase, aguenta... Agora! A sessenta e cinco km/h o que resta do traço contínuo são, naquele medido instante, 25 metros (cerca de 5 carros normais de comprimento) a percorrer em 1,38 segundos. Ou seja 65 km/h, 65 000 metros a dividir por 1 hora = 60 minutos x 60 segundos = 3600 segundos. O que dá 65000 : 3600 = 18,05 metros percorridos por segundo. Daí 25 metros serem feitos em cerca de segundo e meio, precisamente 1,38 segundos.
Pata a fundo em quarta, e é o tempo de resposta do carburador Solex 28 PICT-1, ao vácuo do Distribuidor BOSCH, a coisa passa em dois segundos e meio a 80 km/h direito ao cu do camião.
Pisca e ala que se faz tarde!
O carro moderno de plástico atrás de mim não percebeu nada, e quando viu o carocha desaparecer, decidiu que também queria ir-se embora, acelarou numa tal de quinta ou coisa que o valha que eles têem, baralhou-se, pôs-se à espreita, voltou a perder velocidade, voltou a acelarar, desistiu, enfim, ficou a cheirar porcos...
Livre do cheiro, é altura de voltar à bolachas.
Seria de esperar, depois de uma sair, que as outras também saíssem. Puro engano...
O pacote não se deixa rasgar! Parece que era mais fácil rasgar um reprolar do que este terror. Será que me vou cortar?
Olho para a beira da estrada a ver se há alguma loja, restaurante ou algum sitio onde eu possa parar, entrar esgazeado com um pacote de bolachas na mão a gritar – uma faca! Eu preciso de uma faca! Quem é que me arranja uma faca grande!? – mas a situação parece-me surreal, e ainda por cima não vejo ninguém.
Com os dentes vou arrancando bocados de plástico ao pacote e cuspindo pela janela.
Por dentro, o raio do pacote tem um forro de cartão ondulado que se agarra à boca. Que nojo!
Estava prestes a atirar de vez com o pacote pela janela!
E depois parava, e passava várias vezes por cima a esmagá-lo. E depois saia e chutava os restos para a berma. E depois baixava as calças e fazia qualquer coisa em cima dos restos. E depois ia a pé a correr pela berma até entrar no primeiro restaurante que houvesse para finalmente comer!
Por acaso, meramente por acaso, empurrei o pacote contra o fundo e as sacanas das bolachas deslizaram lá de dentro para o banco do carro...
Milagre! Agora, bastava recolher as ditas espalhadas pelo banco do lado antes que caissem no fundo do carro, no meio do óleo e massa consistente. Fixe!
Pude assim passar junto a Leiria, gloriosamente comendo bolachas de chocolate, compradas por 225$00 cerca de 35 km atrás, numa guerra que demorou cerca de meia-hora.
Mas estava finalmente numa pose de cinema. A mão esquerda segurava o volante, com a direita comia bolachinhas escolhidas ao acaso do monte sobre o banco direito, e olhava os outros condutores, sem comida, nem bolachas....
Já que têm tido a paciência de me aturar, lembrei-me de meter aqui mais uma das m inhas histórias, desta vez uma antiga, mas conhecida de alguns: O Pacote.
O Pacote.
17 de Outubro de 2001, Nacional 1, entre Pombal e Leiria, sete e meia da tarde. Mais uma história do Miguel Brito.
Ai que fome! Estou doido de fome. Tenho que comer qualquer coisa.
São 19.30h e estou no carocha a voltar de Coimbra. Como é Outubro, já está noite cerrada, e o ar fresco arrepia-me o estômago. Não lanchei, e o almoço no Largo histórico de Eiras, entre a uma e as duas, há muito que desapareceu. Eram duas cavalas grelhadas, com couve cozida, batata nova e azeite. Depois foi uma salada de frutas, que tinha ananás e uvas.
Ai que fome que eu tenho. Parei na bomba de gasolina de Pombal, meti cerca de 15 litros, 2 contos de 98 bleifrei (Bleifrei em alemão quer dizer “sem chumbo) mais redex, (Redex é aditivo para protecção das válvulas.) e desesperado, trouxe também um pacote de bolachas com chocolate.
Voltei a arrancar, entrei numa aberta da Nacional 1 e fugi à frente de um TIR cheio de faróis.
De novo a 80, deslizando em quarta, vamos papar. Olha a bolachinha...
Olhando a estrada, e atento aos faróis que passam, tacteio com a mão direita o querido pacote, enquanto salivo na ânsia daquele sabor de chocolate.
Mas o pacote, plastificado, tipo colado, não se desarma.
Puxo-o para mim, e prendo-o entre as pernas. Com a mão direita continuo a tentar abrir o topo do cilindro de bolachinhas escondidas.
Arranquei apenas um mísero pedaço de plástico...
A coisa começa a irritar-me.
Vou olhando de relance para o pacote a tentar perceber o que se passa, por que é que esta coisa não se abre normalmente. Mas não vejo nada...
Iluminado apenas pela luz amarela do velocímetro e do VDO da gasolina, o pacote é uma coisa com aspecto de preservativo embalado a vácuo, preparado para não se abrir de qualquer modo!
Raiva, raiva! Estou cheio de fome, tenho um pacote cheio de bolachas na mão, e a porra não se abre!
Continuo a esgravatar mais violentamente, e vou arrancando pedaços minúsculos de plástico que vou atirando com ódio pela janela.
Passei para 70 e o carro ziguezagueia como se fosse guiado por aqueles velhos de boina a regressarem da taberna.
Atrás de mim, sem eu reparar, o trânsito abranda a ver onde o “bêbado” se irá espetar.
Quanto mais faço força, puxo, raspo, esgravato, mais o carro perde o rumo certo, agora nestes Camac 560 x 15 de bicicleta, sensíveis como tudo.
Parece que o carro ganhou direcção assistida. Faz uma grande diferença em relação aos 155R15, mas como passei a gastar menos 0,63 litros aos cem, não me importa.
E continuo alucinado a tentar rasgar o raio do pacote...
De repente... Viva! Saquei uma bolacha!
Abro a boca, levanto por fim a bolacha, e nesse preciso momento...
Entra-me repentinamente pelo vidro um fortíssimo cheiro a estrume! É preciso ter azar! A primeira trincadela sabe-me a estrume de porco, a segunda também. Percebo então que o camião frente a mim carrega porcos vivos!..
Fico à espera do fim do traço contínuo. Está quase.
Deixo atrasar, ganhar três carros de distância, pedal leve.
Está quase, está quase, aguenta... Agora! A sessenta e cinco km/h o que resta do traço contínuo são, naquele medido instante, 25 metros (cerca de 5 carros normais de comprimento) a percorrer em 1,38 segundos. Ou seja 65 km/h, 65 000 metros a dividir por 1 hora = 60 minutos x 60 segundos = 3600 segundos. O que dá 65000 : 3600 = 18,05 metros percorridos por segundo. Daí 25 metros serem feitos em cerca de segundo e meio, precisamente 1,38 segundos.
Pata a fundo em quarta, e é o tempo de resposta do carburador Solex 28 PICT-1, ao vácuo do Distribuidor BOSCH, a coisa passa em dois segundos e meio a 80 km/h direito ao cu do camião.
Pisca e ala que se faz tarde!
O carro moderno de plástico atrás de mim não percebeu nada, e quando viu o carocha desaparecer, decidiu que também queria ir-se embora, acelarou numa tal de quinta ou coisa que o valha que eles têem, baralhou-se, pôs-se à espreita, voltou a perder velocidade, voltou a acelarar, desistiu, enfim, ficou a cheirar porcos...
Livre do cheiro, é altura de voltar à bolachas.
Seria de esperar, depois de uma sair, que as outras também saíssem. Puro engano...
O pacote não se deixa rasgar! Parece que era mais fácil rasgar um reprolar do que este terror. Será que me vou cortar?
Olho para a beira da estrada a ver se há alguma loja, restaurante ou algum sitio onde eu possa parar, entrar esgazeado com um pacote de bolachas na mão a gritar – uma faca! Eu preciso de uma faca! Quem é que me arranja uma faca grande!? – mas a situação parece-me surreal, e ainda por cima não vejo ninguém.
Com os dentes vou arrancando bocados de plástico ao pacote e cuspindo pela janela.
Por dentro, o raio do pacote tem um forro de cartão ondulado que se agarra à boca. Que nojo!
Estava prestes a atirar de vez com o pacote pela janela!
E depois parava, e passava várias vezes por cima a esmagá-lo. E depois saia e chutava os restos para a berma. E depois baixava as calças e fazia qualquer coisa em cima dos restos. E depois ia a pé a correr pela berma até entrar no primeiro restaurante que houvesse para finalmente comer!
Por acaso, meramente por acaso, empurrei o pacote contra o fundo e as sacanas das bolachas deslizaram lá de dentro para o banco do carro...
Milagre! Agora, bastava recolher as ditas espalhadas pelo banco do lado antes que caissem no fundo do carro, no meio do óleo e massa consistente. Fixe!
Pude assim passar junto a Leiria, gloriosamente comendo bolachas de chocolate, compradas por 225$00 cerca de 35 km atrás, numa guerra que demorou cerca de meia-hora.
Mas estava finalmente numa pose de cinema. A mão esquerda segurava o volante, com a direita comia bolachinhas escolhidas ao acaso do monte sobre o banco direito, e olhava os outros condutores, sem comida, nem bolachas....
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"
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pedrosplit
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joao
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- Location: Leiria
gosto bastante de ler as tuas historias...
isso tambem ja me aconteceu, so que nao ia a conduzir
2000 post's? ja tas velho nisto, lol
ps: entre pombal e leiria, entao passas muitas vezes perto de minha casa, eu moro mesmo entre pombal e leiria, é os mesmos km pa cada lado
e tb moro muito perto da fuscomania...
um dia quando la fores, avisa pa eu poder ter o prazer de conhecer pessoalmente o "guru"
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grande PACOTE.......
obrigado,Miguel..
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Carochas do Berço - Parque do Triângulo Comercial. Encontro Mensal - Ultimo Domingo - 10:00 horas.
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dom
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Antes de mais, Parabéns pelas 2000 mensagens
.
Agora, uma história de se lhe tirar o chapéu!! eheh é que tipo, foi daquelas que se começa a ler e depois, nahh vou ler mais um bocadinho... o que virá a seguir?!
Agora dás risadas, mas no momento nao te deveria apetecer muito rir.
Abraço.
Agora, uma história de se lhe tirar o chapéu!! eheh é que tipo, foi daquelas que se começa a ler e depois, nahh vou ler mais um bocadinho... o que virá a seguir?!
Agora dás risadas, mas no momento nao te deveria apetecer muito rir.
Abraço.
Domingos Carvalho
1302S
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Carlos Baptista
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2000 posts
Miguel Brito! Parabens pelos 2000. Em menos de um ano é muita fruta. Temos que organizar uma cerimónia de imposição de insígnias para os 1000,2000,3000 posts e por aí adiante. A parte da história que eu gostei mais, foi aquela parte em que dizes:"Puxo-o para mim e prendo-o entre as pernas"É que eu tambem já vou precisando de fazer isso, senão ele cai! 
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Eduardo Pinela
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MarcoVW61
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Caro Miguel;
Subscrevo tudo o que foi dito.
Obrigado pela tua história cheia de peripécias!
Abraço
" Manfred"
Subscrevo tudo o que foi dito.
Obrigado pela tua história cheia de peripécias!
Abraço
" Manfred"
"Blue time, paradise forever!":)
www.bmwmadeira.org
http://www.SquadraAlfaRomeoMadeira.blogspot.com
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