E se um desconhecido lhe oferecer VW's... isso é Impulse!

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Miguel Brito
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E se um desconhecido lhe oferecer VW's... isso é Impulse!

Post by Miguel Brito »

Mais uma pequena história, saída do quotidiano...

E se um desconhecido lhe oferecer volkswagens... isso é Impulse!...

Numa sexta-feira de manhã, depois de ir levar as crianças à escola e ter passado pela padaria, regresssei a casa e preparei o carro para ser limpo.
Como tem cera suficiente aplicada (da Armour All), bastou borrifar um pouco a carroçaria com água e limpar suavemente com papel de celulose pura (rolos da Berner), isentos de cloro, retirando o pó e leves impurezas que impediam o carocha de brilhar como deve ser.
De seguida limpei os vidros, e depois apliquei a mistura de glicerina e álcool para abrilhantar os pneus. Com tudo limpo, seguiu-se uma limpeza ligeira das lâminas de pára-choques, e das ponteiras de escape com WD40. Ficou excelente, brilhando em múltiplos reflexos.

Mais tarde, saí de casa pelo meio-dia, deslizando suavemente pelos campos floridos, prados verdejantes pincelados pelas flores brancas nascidas dos beijos entre a chuva a terra e o sol, numa perfeita “ménage a trois”.
Excelente sexta-feira, com o carro a brilhar através do campo, a caminho da Marginal e de Lisboa. Ah, sabe tão bem viver no campo, mas tão próximo de Lisboa. Faz lembrar a célebre expressão de Eça de Queirós, sobra a casa perfeita “Viver numa quinta, com porta para a Avenida”. E assim é de facto, em Albarraque.
Segui calmamente, de vidro aberto e de braço à janela, a portar-me bem, nos 70 km/h.

Mas por vezes é difícil manter o sossego. Ao entrar na recta do Dafundo, vejo o comboio que seguia ao lado da Marginal, um pouco adiante. Não resisti e acelerei, mas o sacana do comboio anda muito, nos 90 km/h.
Despachei-me a apanhá-lo, abrandei ao lado dele, e mantive a velocidade.
Em puro espectáculo para os aprisionados dentro do comboio, segui sem nenhuma mão ao volante, mantendo a trajectória e a velocidade igual ao comboio. Olhem para isto! A 90 sem mãos! Quem é campeão? Quem é?
É melhor que ir ao circo, é só proezas! E corrigia apenas pontualmente com dois dedos, em exibição pura para o comboio. Poupem o dinheiro do passe, andem de carocha!

Depois de Algés, onde o comboio parou, desviei para Belém, junto aos Jerónimos e pasteis, de modo a que mais gente pudesse ver o carocha a brilhar com bom aspecto. A aula na Universidade foi ligeira, mas inspirada, um momento eficaz, cultural e interactivo com 35 alunos presentes.

Depois o regresso. Subi da Ajuda ao Restelo, e fui em busca da IC-19, que graças às recentes 3 faixas permitiu um andamento livre. Dei-lhe 80, por vezes 110 de modo a limpar bem o motor, e desviei para o Mc Donald’s de Rio de Mouro para um almoço ligeiro (e barato...) antes de regressar a casa.

E foi ao estacionar, num lugar à beira da estrada, que para ao meu lado uma enorme mota negra. Saio do carro, e enquanto fecho a porta, o motociclista cumprimenta-me. Fico a olhar para ele, um sujeito volumoso todo vestido de negro com um enorme capacete com uma peça frontal que levanta a parte do queixo. Parecia um cavaleiro da Idade Média, e ainda pensei que fosse o famoso “Bala Assassina”, mas não.

A mota era potente, enorme, com um ar possante, e todo o conjunto era negro, causando impacto visual. O homem desligou a mota, pousou os pés no chão e disse-me:
- Boa pintura! Foi pintado agora?
Surpreendido, não tive coragem de lhe dizer que a pintura é de Novembro de 1999, seis anos atrás... já valeu a pena o esforço matinal de limpeza! Disse-lhe apenas:
- Mais ou menos... Tem é cera aplicada. Fica com melhor aspecto... – Ele estava hipnotizado pelo carro, não largava os olhos do carocha.
- Sabe, é que eu também tenho um..., - estava explicado o caso. – O meu é de 1973, é vermelho...
- Ai sim? Então é mais moderno. É que este é de 1963. o seu já deve ter uns pára-choque diferentes, mais largos... – Ele olhava espantado para mim, e parecia que nunca tinha visto que há dois tipos de pára-choques, os carris, dos modernos, e os arredondados, mais antigos.
- Pois, mas eu quero é vender aquilo. – Até me deu vontade de rir. Vender “aquilo”... O melhor é vender “ao quilo”, pode ser que a peso valha mais. A 1 euro/quilo sempre ganha uns 150 contos.
- Então tenho uma sugestão! Apareça na Igreja da Encarnação no 1º domingo do mês à tarde, estão lá vários carochas, pode ser que consiga vender. O carro está a andar ou não?
- Está a andar, e está mais ou menos. Eu quero vender aquilo porque vou para Moçambique, e preciso vender. Sou capaz de aparecer lá.
- Então boa sorte! – E ele arrancou veloz na potente mota, desaparecendo no anónimo trânsito. Segui para o Mc Donald’s a pensar nos acasos do quotidiano.

Andar de carocha traz sempre surpresas, nem que seja no simples acto de estacionar. Pelos vistos quase toda a gente tem carochas. E os que não têm querem ter. uns vendem, outros compram, uns guardam, outros ajuntam, mas eles existem, e andam por aí. Por isso já sabe, “se um desconhecido lhe oferecer volkswagens... isso é impulse!”
Do Vosso amigo Miguel Brito.

Se houver aqui uma “moral da história”, bem poderia ser esta: conduzam carros limpos bem lavados, pois o esforço compensa, o carro torna-se reflexo do condutor, charme, brilho e glória, a satisfação é vossa e a alegria de quem vê, qualidade volkswagen a valorizar o vosso quotidiano, o tempo de que é feita a nossa vida.
E só temos uma.
"Um carocha por dia, dá vigor e alegria!"

trukas
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Post by trukas »

cá para mim ele ficou a pensar que realmente não sabia o que tinha em casa..

as coisas estimadas dão outro aspecto.. mesmo para quem não sabe dar o verdadeiro valor..

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nezz
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Re: E se um desconhecido lhe oferecer VW's... isso é Impulse

Post by nezz »

Miguel Brito wrote: Não resisti e acelerei, mas o sacana do comboio anda muito, nos 90 km/h. Despachei-me a apanhá-lo, abrandei ao lado dele, e mantive a velocidade.
também adoro fazer isto, normalmente na EN1, após Pombal, sentido de Coimbra
E foi ao estacionar, num lugar à beira da estrada, que para ao meu lado uma enorme mota negra. Saio do carro, e enquanto fecho a porta, o motociclista cumprimenta-me. Fico a olhar para ele, um sujeito volumoso todo vestido de negro com um enorme capacete com uma peça frontal que levanta a parte do queixo. Parecia um cavaleiro da Idade Média, e ainda pensei que fosse o famoso “Bala Assassina”, mas não.

A mota era potente, enorme, com um ar possante, e todo o conjunto era negro.
mas era simpático, pelos vistos :wink: outra possível moral da história
[center]not all those who wander are lost - J.R.R. Tolkien[/center]
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Chris
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Post by Chris »

agora fiquei curioso em saber o que irá acontecer ao carocha vermelho do "motard" :(

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