É que é o mesmo que me acontece em casa!... É só confusões.
- Já me arrumaste o carro outra vez?! Olha que eu ainda vou sair!...
- É só agora, é só para tirar o meu...
- Mas não ias sair com a Gilda?
- Mas é que primeiro tenho que tirar aquele, para depois a poder puxar para ali de lado, e só depois é que posso sair.
- Mas tiras-me o carro de novo antes de ires?
- Sim, mas para isso tenho que pôr o meu de lado, pois se calhar sais primeiro que eu...
São horas nisto... É doentio.
E quando tinha o karmann-ghia numa garagem colectiva numa cave, então ainda era mais complicado. Tinha que andar a mudar todos de sítio para conseguir sair...
A propósito deste jogo, lembrei-me de uma conversa no dia 8 de Novembro de 2000, quarta-feira, no fim de um jantar, em que estava eu, a minha mulher Xana e o nosso amigo Luís Gamito, que já há algum tempo não víamos.
(Lembrar-me é um pouco excessivo, a verdade é que tenho ainda e por acaso as gravações desse dia...).
A Xana, como usualmente, fez um excelente jantar (ou seja, um petisco), e ainda bebemos um vinho branco da Cova da Beira, da Adega Cooperativa do Fundão, um “Covas” que pouco tempo dura no copo, mas perdura na memória.
Com o desenrolar da conversa chegámos naturalmente, e como é hábito (para desespero da Xana...), às aventuras automobilísticas, e a certo momento surgiu a história do estacionamento na garagem subterrânea colectiva, onde eu tinha parqueamento alugado para guardar o karmann-ghia.
Eh, bem, só de histórias do karmann-ghia na garagem, também há umas incríveis!
Mesmo como fazer complicado, quando a coisa é simples, tipo: o carro está lá num sítio, e como sai pouco, está um outro carro atrás. Não há problema, porque os carros estão destrancados e tudo.
Se eu quiser sair, chego lá, mudo e puxo o outro carro para trás para tirar o meu carro.
Isto dito parece fácil, mas da última vez que lá fui, com boleia da Xana, disse-lhe “Ah, espera aí, que eu já venho!”
Esperou, esperou, e eu nunca mais!
(Riso)
Eh Pá, quando se foi a ver, eu para tirar aquele, ia pôr aquele em que eu ia. A ideia era trocar um pelo outro, e íamos naquele.
É pá, aquilo meteu uma confusão, mas uma confusão tão grande!
Cheguei com este, tinha outro atrás, parei assim de lado, depois puxei este para aqui, depois tirei este para cá, depois, é pá... não sei, aquilo não passava, parecia um jogo de dominó: Puxei, tirei, troquei!...
(Gamito, a rir) A garagem é estreita?...
Não, qual quê, é mas é grande! Só que tem ali um conjunto de seis carros, em duas filas, atrás uns dos outros. E às vezes uns estão, outras vezes os outros não estão, e aquilo daquela vez calhou: calhou prá confusão. Mas foi uma confusão tão grande!
A Xana estava assim: Quando é que paras de brincar com os carros?! Então agora tiras aquele, agora tiras não sei quê, e ela farta de esperar, e parada a ver!
Agora o citroen, não sei quê e tal, agora este rover está aqui mal, digo eu, mas daqui a pouco mudo os carros todos de sítio...
Quando chegarem os donos, já não encontram os carros, já nada estacionado no sítio! Perfeitamente delirante!...